segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Segundo Desejo (noite na pedra)

A música de lá me faz querer tocar
melodias estranhas a nós,
dedicá-las ao céu e chegar,
quem sabe, a corações
e faces amigáveis
de vizinhos irreconhecíveis.
Sombras coloridas de uma orquestra universal,
tons menores de estrelas cadentes.
Quero que minhas notas sejam sussurros universais
em todos cantos do firmamento.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Primeiro Desejo (noite no jardim)


Queria que chovesse por anos
para que o sal que ainda me cobre deslizasse
e exibisse a este antigo mundo
as cores apagadas que trago em mim

Cada vez que o sol vem e me abate
violentamente sinto o sentido desmoronar
e as horas derretem e os cometas desabam
falsas promessas e minhas farsas poses
máscaras claras máscaras doces
ficam quietas e escondem do mundo
as cores apagadas que trago em mim

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Secrita Clantu Treir (Mare Hymna)


Navion svenïta clanto da mareas
Orionta bist píseog atlas dü neir

Anda hi, altaz undas
Anda hi, altaz undas

Navion svenïta clema de Saiissa
Orionta se Lyr crina toas sereas

Calmon se, altaz undas
Calmon se, altaz undas

Navion svenïta clanto da mareas
Orionta se Lyr creina toas sereas

Creina seree sire Lyr navion sveniti
Navion se
Navion se

Treia

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Autumn's Child

A última vez em que o vi foi em uma lenta tarde de junho.

Estava abaixado, com a sua face voltada para o chão, não movendo seus finos olhos em direção alguma. E como eram negros, aqueles olhos. Ousadamente negros. Lembro deles como se os tivesse visto ontem.

Entoava quase internamente uma cantiga provavelmente mais velha que o tempo; e suas vestes simples e de uma só cor - de terra - faziam sentido em seu tímido balançar. Estava devastado por dentro, ao meu ver. Vazio, quase oco. Estranho e quase nu. Derrotado.

As folhas ao seu redor rodopiavam, distraiam e disfarçavam. Eu poderia ficar horas ali, encantado com a terrível cena. Talvez ele mesmo estivesse ali há horas. Há dias, talvez.

Então um súbito raio de orgulho surgiu, revivendo aquela pequena alma. Ganhou força e ergueu sua cabeça, exibindo sua face delicada como se fosse rara gema exposta ao sol nascente. Pálido e sem culpa nos olhos, abriu suas asas e voou.

Cansou de contar seus segredos para as mesmas folhas mortas.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Romani

A cena se divide em duas partes: um mar de ondas de areia branca e um infinito céu escuro, repleto de estrelas cravadas em sua superfície lisa, lideradas por uma lua crescente. Apenas a fogueira define de forma delicada o limite entre o que é areia e o que é céu. Suas chamas queimam não apenas a madeira, pois também se alimentam dos sonhos opacos daqueles que a sua volta se encontram. Indivíduos sem história, tempo ou lugar. Seus sonhos nada mais são do que lembranças de alguém que viverá incontáveis anos a frente deles mesmos.

Ao olhar a lua minguante no céu, eu penso sobre como aquela mesma lua se encontrava ali quando o primeiro homem descobriu o fogo e a noite iluminada. Me choca a idade do tempo. E mais que isso, me choca sua inexistência exata. Tal inexistência sim é O Mistério, prova de que algo superior a nós nos observa e nos fala. Aquelas pessoas em volta da fogueira não me enxergam. Eu me sinto atraído por suas vestes, seus aromas e seus sons. Me aproximo.

Fita vermelha ao vento. Pandeirola em mãos em ritmo circular, quase hipnotizante. Ela roda em torno do fogo como se tal dança fosse a única missão de sua ínfima existência. Dona de uma longa saia também vermelha e de cabelos longos e negros, ela dança como a lembrança vaga que é. Seus olhos parecem vazios. Eu sinto algum conforto em sua dança e percebo claramente que respeito esta mulher.

Sentado na areia, sem piscar, um homem de olhar negro e pele avermelhada me desafia. Seus cabelos pretos estão parcialmente escondidos por um lenço; suas mãos tiram sons de seu instrumento como se fossem seres com vontade própria. Não gosto dele, sem exatamente encontrar uma razão para isto. Tal homem instiga em mim sentimentos estranhos e sem nome. Ele me incomoda de forma íntima, quase proposital.

Então olho o fogo; e sem ter grandes esperanças relacionadas à minha vida, finalmente entendo. Contudo, momentos assim, de epifania, podem ser como pequenas desgraças que, apesar de passageiras, deixam marcas eternas. Em tais momentos, a vida faz todo sentido. Escutamos Deus e enxergamos o tempo, mas não conseguimos expressar tal conhecimento. É algo que deve ficar preso, silente em nossa alma.

Mais que a audaciosa mulher, ele me intriga - e o faz em silêncio – pois seu olhar fixo no fogo me diz que ele sabe que está sendo observado. É num misto de conforto e dor, de saudade e angústia, que eu entendo:

Aquele homem sou eu.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Prece


Deito na grama gelada.

Tapete frio, incansavelmente desafiando seu oponente sem fim, um eterno céu negro perfurado por estrelas. Luzes do meu presente, elas sussurram segredos. Restos de um distante ontem que a mim não pertence, elas também ecoam histórias. Histórias fantásticas. Deito na grama para acolher a multidão que grita a cima de meu corpo, diante de meus olhos. O delicado caos de luz cai sobre mim como guerreiros cobrindo uma vasta planície. São altas e elegantes ondas de gigantescas estrelas que a esta terra chegam como pedrinhas de diamantes. Todas gritam ao mesmo tempo. São tantos destinos. Tantos tempos perdidos em diferentes pontos do céu... Acredito. Sim. Acredito no que não posso ver. E o faço com toda a força, justamente por estar vendo aquilo que não mais existe lá, há anos-luz daqui. Acredito sim. E agora o universo inteiro existe aqui.

Deito na grama para dizer a Deus que sim.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Spell

You, my own night rainbow
Shinning in tune with every star in the Sky
Bring back my magic, indeed sadly lost,
In the mist of this shrine

You, my midnight garden
With your flowers held still,
Bring your venom to my veins
Take my soul as your own shield

You, my frightening storm
With your great, hypnotic lightning
Bring my prayers to an end,
heal the wounds of this sad crying

Cast a spell, beloved one
As a hymn to our own love
For my life, a dark night,
Needs your light, my bitter sun.