segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Secrita Clantu Treir (Mare Hymne)


Navion svenita clanto da mareas
Orionta bist píseog atlas dü neir

Anda hi, altaz undas
Anda hi, altaz undas

Navion svenita clema de Saiissa
Orionta se Lir crina toas sereas

Calman se, altaz undas
Calman se, altaz undas

Navion svenita clanto da mareas
Orionta se Lir creina toas sereas

Creina seree sire lir navion sveniti
Navion se
Navion se

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Autumn's Child

A última vez em que o vi foi em uma lenta tarde de junho.

Estava abaixado com a sua face voltada para o chão, não movendo seus finos olhos em direção alguma. E como eram negros, aqueles olhos. Ousadamente negros. Lembro deles como se os tivesse visto ontem.

Entoava quase internamente uma cantiga provavelmente mais velha que o tempo; e suas vestes simples e de uma só cor - de terra - faziam sentido em seu tímido balançar. Estava devastado por dentro e vazio por fora. Estranho e quase nu. Derrotado.

As folhas ao seu redor rodopiavam, distraiam e disfarçavam. Eu poderia ficar horas ali, encantado com a terrível cena. Talvez ele mesmo estivesse ali há horas. Há dias, talvez.

Então um súbito raio de orgulho surgiu, revivendo aquela pequena alma. Ganhou força e ergueu sua cabeça, exibindo sua face delicada como se fosse rara gema exposta ao sol nascente. Pálido e sem culpa nos olhos, abriu suas asas e voou.

Cansou de contar seus segredos para as mesmas folhas mortas.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Romani

A cena se divide em duas partes: um mar de ondas de areia branca e um infinito céu escuro, repleto de estrelas cravadas em sua superfície lisa, lideradas por uma lua crescente. Apenas a fogueira define de forma delicada o limite entre o que é areia e o que é céu. Suas chamas queimam não apenas a madeira, pois também se alimentam dos sonhos opacos daqueles que a sua volta se encontram. Indivíduos sem história, tempo ou lugar. Seus sonhos nada mais são do que lembranças de alguém que viverá incontáveis anos a frente deles mesmos.

Ao olhar a lua minguante no céu, eu penso sobre como aquela mesma lua se encontrava ali quando o primeiro homem descobriu o fogo e a noite iluminada. Me choca a idade do tempo. E mais que isso, me choca sua inexistência exata. Tal inexistência sim é O Mistério, prova de que algo superior a nós nos observa e nos fala. Aquelas pessoas em volta da fogueira não me enxergam. Eu me sinto atraído por suas vestes, seus aromas e seus sons. Me aproximo.

Fita vermelha ao vento. Pandeirola em mãos em ritmo circular, quase hipnotizante. Ela roda em torno do fogo como se tal dança fosse a única missão de sua ínfima existência. Dona de uma longa saia também vermelha e de cabelos longos e negros, ela dança como a lembrança vaga que é. Seus olhos parecem vazios. Eu sinto algum conforto em sua dança e percebo claramente que respeito esta mulher.

Sentado na areia, sem piscar, um homem de olhar negro e pele avermelhada me desafia. Seus cabelos pretos estão parcialmente escondidos por um lenço; suas mãos tiram sons de seu instrumento como se fossem seres com vontade própria. Não gosto dele, sem exatamente encontrar uma razão para isto. Tal homem instiga em mim sentimentos estranhos e sem nome. Ele me incomoda de forma íntima, quase proposital.

Então olho o fogo; e sem ter grandes esperanças relacionadas à minha vida, finalmente entendo. Contudo, momentos assim, de epifania, podem ser como pequenas desgraças que, apesar de passageiras, deixam marcas eternas. Em tais momentos, a vida faz todo sentido. Escutamos Deus e enxergamos o tempo, mas não conseguimos expressar tal conhecimento. É algo que deve ficar preso, silente em nossa alma.

Mais que a audaciosa mulher, ele me intriga - e o faz em silêncio – pois seu olhar fixo no fogo me diz que ele sabe que está sendo observado. É num misto de conforto e dor, de saudade e angústia, que eu entendo:

Aquele homem sou eu.

domingo, 12 de julho de 2009

The Light Blue Swing


Standing still, looking enraged
Your green eyes, yeah, they look so grave
I know you, you are brave,
There’s no fight, though, child turn away
I can see, deep in you,
In these eyes of a boy, the decay of a man
I saw loneliness, baby, spelling your name

But hey, I do wonder now, who gave you this gun
Instead of that light blue swing, anyway?
But hey, I do wonder now who made you that angry,
Telling you kindness’s the hardest way?


Passing by, I can see
What surrounds you gets right through me
I’m too weak, I’m to blame
Each step aching your heart away
There you are, so alone
Like a painting you are so undone
So misused, so misplaced
I read save me, baby, carved in your face

But hey, I do wonder now, who gave you this gun
Instead of that light blue swing, anyway?
But hey, I do wonder now who made you that angry,
Telling you kindness’s the hardest way?

But hey, I do wonder now, who gave you this knife
Casting your dreams away?
And hey, I do wonder now, who twisted your love
And corrupted your faith, who made you that empty
And threw you away?
I do wonder

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Prece


Deito na grama gelada.

Tapete frio, incansavelmente desafiando seu oponente sem fim, um eterno céu negro perfurado por estrelas. Luzes do meu presente, elas sussurram segredos. Restos de um distante ontem que a mim não pertence, elas também ecoam histórias. Histórias fantásticas. Deito na grama para acolher a multidão que grita a cima de meu corpo, diante de meus olhos. O delicado caos de luz cai sobre mim como guerreiros cobrindo uma vasta planície. São altas e elegantes ondas de gigantescas estrelas que a esta terra chegam como pedrinhas de diamantes. Todas gritam ao mesmo tempo. São tantos destinos. Tantos tempos perdidos em diferentes pontos do céu... Acredito. Sim. Acredito no que não posso ver. E o faço com toda a força, justamente por estar vendo aquilo que não mais existe lá, há anos-luz daqui. Acredito sim. E agora o universo inteiro existe aqui.

Deito na grama para dizer a Deus que sim.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Spell

You, my own night rainbow
Shinning in tune with every star in the Sky
Bring back my magic, indeed sadly lost,
In the mist of this shrine

You, my midnight garden
With your flowers held still,
Bring your venom to my veins
Take my soul as your own shield

You, my frightening storm
With your great, hypnotic lightning
Bring my prayers to an end,
heal the wounds of this sad crying

Cast a spell, beloved one
As a hymn to our own love
For my life, a dark night,
Needs your light, my bitter sun.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sem Título


Eu não te amo, porque isso, nas atuais circunstâncias, seria a maior loucura da minha vida. E olha que loucuras não faltam por aqui...

Apesar de não te amar, eu sei que havia - e agora eu sei que ainda há - algo em mim que há muito tempo eu considerava morto. Algo como um baú trancado, escondido e empoeirado em algum canto daquilo que eu conheço como alma. Esse algo do qual eu já havia me esquecido há tanto tempo, veja bem, estava imerso no silêncio de uma cor que nunca mais seria vista, se dependesse de minha vontade. Então, quase que instantaneamente, aquela rocha que era o silêncio se dissipou como pedacinhos da dente-de-leão. Você surgiu. Ou melhor, eu surgi para você sem nunca ter escolhido isso. Sem nunca ter escolhido você. E foi justamente você quem imediatamente deu sentido a uma gama de canções que nunca sairam da minha mente.

Não me entenda mal, pois não desejo ser piegas (e esse assunto não ajuda muito nesse sentido). Não estou aqui discorrendo a respeito de um sentimento que me coloca em uma espécie de espaço de luz mágica que contagia a tudo e a todos, fazendo do mundo um lugar melhor. Muito menos estou me referindo a uma rajada brutal de alegria nua e crua, daquelas que nos fazem sentir o peito pesar e o mundo diminuir aos nossos pés, nos tornando príncipes anônimos, reinando silenciosamente por imensuráveis segundos. Não me refiro a esse estado de graça tão sólido. Me refiro a algo muito mais simples. E preste atenção, querido. Algo muito, mas muito mais poderoso do que tudo isso. Agora me diga, rapaz. Seria amor?

Eu sei que eu não te amo, mas eu também sei - e muito bem, acredite - que você tem aí dentro de ti algo que de alguma forma chegou a mim e iluminou lugares que eu nem sequer sabia que existiam. Ridículo, eu sei. Três meses sem escrever uma linha de meus supostamente profundos textos e agora apareço com um discurso de mocinha de dezesete anos. Bem, eu não vou dar ouvidos a mim mesmo, até porque acredito que você não vai ler essas palavras... Acredito mesmo, porque acreditar é tão bom, meu Deus! Acreditar signfica ter certeza de algo sem banir por completo as possibilidades que queremos ou não que venham a se concretizar.

Eu não te amo.

Eu não te amo ainda, talvez... Mas não importa. Só não quero te ver indo embora, me deixando sozinho com esse algo que (re)descobri. Você inaugurou alas em um palácio que sempre é abandonado por todos os seus inúmeros visitantes. Não passe por aqui para me deixar sem as chaves das portas que você abriu. Fique e me mostre que no final das contas, apesar de eu não te amar...